Empresa fabrica sapatos de pneus e tira mães solteiras da pobreza
10/12/2017 20:51 em Geral

Alejandro Malgor e dois de seus amigos, Ezequiel Gatti e Nazareno El Hom resolveram aproveitar as 100 mil toneladas de pneus eliminados todos os anos na Argentina para fabricar sapatos.

E fizeram mais que isso: dar oportunidades para desempregados, em particular, mães solteiras, na cidade natal deles, Mendonza.

Hoje a empresa Xinga emprega 25 mulheres de área rurais, onde grande parte da produção é feita.

 

Malgor diz que está empenhado em trabalhar com as comunidades locais e permitir que as mães solteiras permaneçam chefes de suas famílias.

Tudo isso faz parte do projeto Across Women’s Lives, da série Wear and Tear: as mulheres que fazem nossas roupas.

“É gratificante que empresas que compram nossos produtos saibam que estão ajudando a capacitar mulheres e pessoas excluídas pelo sistema”, diz ele.

Capacitação

O principal objetivo da Xinca é capacitar as mulheres que não têm acesso à educação, dando a elas o treinamento que precisam para trabalhar.

Malgor diz que ele e os seus co-fundadores querem devolver às mulheres a própria dignidade, ajudando-as a se tornar independentes ao ganhar sua própria renda.

“Queremos ajudar as mães solteiras porque são tão importantes para a sociedade. São mulheres fortes que desejam dar as melhores vidas aos seus filhos, mas às vezes não possuem recursos, ou ferramentas para fazer isso”, diz Malgor.

Mãe de 2 filhos

Mauricia Vargas é uma dessas mulheres.

Aos 40 anos, ela é mãe de dois filhos.

Antes de se juntar a Xinca em 2014, ela trabalha no campo por longas horas e ganhava pouco.

A Xinca deu a ela uma chance de aprender novas habilidades e ganhar mais dinheiro para sustentar sua família.

“Para mim, ter um emprego significa ajuda econômica e, ao mesmo tempo, aprender coisas que eu gosto”, explica Maurícia.

“Esta oportunidade é muito boa porque você não está apenas aprendendo, está encontrando pessoas incríveis no trabalho e ganhando dinheiro ao mesmo tempo”.

“As mulheres que empregamos são mulheres que querem avançar, que querem melhorar a qualidade de vida de seus filhos, mas que não sabem como fazê-lo”, diz Malgor.

“Então, nós geramos oportunidades econômicas e sociais para que elas possam fazer isso por si mesmas”.

 

Reciclagem

Desde o lançamento em 2013, a Xinca já reciclou 20 mil quilos de pneus, que são fornecidos por uma usina de reciclagem na capital argentina, Buenos Aires.

Malgor e sua equipe também não se concentram apenas na reciclagem de pneus.

Para fazer o próprio sapato, eles coletam sucatas têxteis da indústria da moda e estabeleceram várias parcerias com empresas que doam o tecido para Xinca.

“O processo começa na usina de reciclagem, onde separamos os metais da borracha”, explica Malgor.

“Então, cortamos os sapatos diretamente dos pneus. Para a outra parte do sapato, reutilizamos tecido da indústria da moda. Temos parcerias com diferentes marcas que querem comunicar que estão cuidando de seus resíduos “.

A Xinca vende seus produtos, que agora incluem mochilas e bonés, tanto on-line quanto através da gigante de roupas éticas Patagonia.

A empresa espera usar o dinheiro que ganhou em uma competição de 2017, The Chivas Venture, para expandir para a Austrália, Chile e Uruguai.

A Xinca atualmente faz 1.500 pares de sapatos por mês.

Doação

A lei argentina exige que as empresas ofereçam aos seus empregados novos sapatos a cada seis meses, e a Xinca assinou recentemente um contrato com o município de Quilmes para ser o fornecedor oficial.

A empresa também tem uma parceria com a Boca Juniors, de modo que por cada par de sapatos vendidos, uma é doada para um menino de baixa renda.

A longo prazo, a Malgor procura incentivar outras empresas a adotar um modelo sustentável de trabalho que inclua mulheres.

Ele diz que sua “vida fácil com muitas oportunidades” o incentivou a dar “pelo menos uma” oportunidade a pessoas que não tiveram o mesmo começo na vida.

“Queremos redefinir o que significa ser bem sucedido nos negócios. Queremos pensar no sucesso como quem ajudamos e não apenas pelo dinheiro que fazemos “.

Com informações do GNN.

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